Por que isso?

Não temos muitos canais de mídia tradicional que tratem os acontecimentos do mundo com muita profundidade e, para piorar, os poucos que temos não nos trazem informações puras mas, geralmente, "notícias comentadas".

Isso significa que, para saber as últimas notícias do Brexit, por exemplo, somos obrigados a engolir a visão pessoal dos correspondentes - no caso da TV - e de colunistas, no caso dos jornais. Ou seja, se queremos ouvir a opinião de pessoas (assim, no plural) sobre a crise da imigração nos EUA, temos que nos contentar em ler, na maior parte das vezes, algum artigo no New York Times.

Isso causa um certo incômodo, pois ouvir as pessoas dizerem: "ah, eu acompanho as coisas também pela imprensa internacional" acaba sendo apenas uma mentira. Ao tentarmos ler alguma coisa da imprensa internacional aqui no Brasil (traduzido), vamos ler, via de regra, aquilo que é selecionado por um parceiro local. Logo, se você acompanha uma publicação mais à esquerda do espectro político, vai ler traduções do New York Times e do The Guardian. Agora, se a pessoa quiser acompanhar uma publicação mais à direita, no Brasil, vai ter certa dificuldade.

Além disso, deveriam existir outras fontes, inclusive fontes locais e alternativas de boa qualidade. Vale lembrar que o NYT ou WaPo são jornalões e estão pouco se lascando para o que acontece fora do eixo Los Angeles - Washington - Nova York. 

Quando voltamos ao ambiente local na TV, o que se percebe é que são exatamente estas mesmas fontes que são pesquisadas, incluindo aí as americanas CNN e um tanto da MSNBC... e acabou!

Assim, resta-nos, no horário do Jornal Nacional, ter mais tempo gasto com a goleada do Fluminense sobre o Valeriodoce do que um pouco de perspectiva internacional, para entender o que está acontecendo com a gente agora e, muito mais importante, o que vai acontecer com a gente em um futuro breve.

Saindo da Bolha vem para cobrir essa lacuna? Muita pretensão! A lacuna é grande demais!

O desejo do Saindo da Bolha é mostrar perspectivas diferentes daquelas que normalmente são apresentadas, por ausência de notícias ou por posicionamento político e, quem sabe, colaborar com a abertura de novos leques de discussões.

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